No entanto, é no desenvolvimento de novos produtos florestais que o sector apresenta as suas inovações mais promissoras, principalmente na medida em que estes produtos podem contribuir diretamente para a substituição de materiais de origem fóssil.
A partir da celulose, que é um dos principais constituintes da madeira, é possível obter uma ampla variedade de novos materiais, como:
- A celulose solúvel, amplamente utilizada na indústria têxtil e que se apresenta como uma alternativa natural aos derivados do petróleo na produção de películas plásticas.
- A celulose nanofibrilada, composta por fibras extremamente finas que impedem a passagem de líquidos e até de oxigénio, é ideal para o fabrico de embalagens biodegradáveis e de outros revestimentos especiais destinados ao acondicionamento de alimentos e cosméticos.
- Com elevada resistência, leveza e durabilidade, a celulose nanocristalina revela grande potencial para aplicação na produção de ecrãs para dispositivos eletrónicos.
A lignina ou lenhina, molécula que constitui cerca de 25% da árvore, surge como uma matéria-prima para produção de componentes em diversas indústrias, como a automóvel e aeronáutica.
No domínio dos biocombustíveis, o etanol de segunda geração — produzido a partir de resíduos de madeira, entre outros materiais — apresenta custos de produção reduzidos e características semelhantes às do etanol convencional, ampliando as possibilidades para a consolidação de uma matriz energética mais limpa.
Em Portugal, a inovação da indústria florestal abre igualmente uma ampla janela de oportunidades com o desenvolvimento de novos produtos à base de cortiça. O país é o maior produtor e exportador mundial deste material e, embora a produção de rolhas ainda domine o sector, multiplicam-se as possibilidades de criação de novos materiais compósitos, com aplicações nas indústrias têxtil, da construção e até aeroespacial.
Estas são apenas algumas das inúmeras formas de ilustrar a capacidade e amplitude da inovação da indústria florestal.
A preocupação desta indústria com a preservação dos recursos naturais orienta também as suas inovações no sentido da sustentabilidade ambiental, tornando-a uma aliada essencial no combate às alterações climáticas.
Do ponto de vista económico, o seu papel é igualmente relevante. Os exemplos práticos apresentados evidenciam a capacidade da silvicultura para criar sinergias e mobilizar outros sectores da economia – especialmente as chamadas indústrias intensivas em conhecimento, como as dos ramos farmacêutico, químico, tecnológico e de engenharia de software –, contribuindo para a dinamização e o fortalecimento da economia como um todo e promovendo o desenvolvimento económico e social das populações.
Assim, é fundamental que a indústria florestal seja considerada nas estratégias de investigação, desenvolvimento e inovação dos países detentores deste valioso recurso. E importa ressaltar que a inovação não se limita à dimensão tecnológica: os âmbitos social, institucional e político também fazem parte desse conjunto. São, contudo, temas que merecem uma reflexão própria para além deste texto.