Notícias e Agenda

02.07.2020

Floresta cobre 38,8% de Portugal continental, revela novo COS2018

Floresta cobre 38,8% de Portugal continental, revela novo COS2018

As áreas florestais mantêm-se como a principal ocupação do território Continental, com 3460 milhares de hectares de floresta e mais 733 mil hectares de sistemas agroflorestais. Os números são relativos a 2018 e resultam da mais recente Carta de Uso e Ocupação do Solo de Portugal Continental 2018 (COS2018), que serve de base às Estatísticas de Uso e Ocupação do Solo do INE – Instituto Nacional de Estatística, publicadas em junho de 2020.

A floresta ocupa 38,8% de Portugal Continental e mantém-se como a principal ocupação e uso do solo nacional, seguida pela agricultura (26,2%), os matos (12,4%), as superfícies agroflorestais (8,2%) e as pastagens (6,4%). Os dados traçam o retrato de Portugal como um país florestal, agroflorestal e agrícola, onde apenas 5,2% do solo tem uma ocupação artificializada.

A par da floresta, os territórios artificializados – ocupados por zonas residenciais, empresariais, infraestruturas, equipamentos públicos e outras edificações – foram das classes que mais cresceram de 1995 a 2018. Este é o intervalo ao qual reportam os dados revelados pela Direção-Geral do Território no COS2018 e que constam na Análise temática respetiva, traçando a evolução desta cartografia desde a sua primeira edição.

 

Distribuição da superfície das unidades territoriais por classes de uso e ocupação do solo, Continente e NUTS II, 2018

Área por classe (%) Portugal ContinentalNorteCentroLisboaAlentejoAlgarve
Florestas393750253234
Superfícies agroflorestais8023214
Matos1222138327
Pastagens7247124
Agricultura262923272721
Territórios artificializados5762225
Outros322835

Nota: NUTS II – Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (unidades territoriais para fins estatísticos). Fonte: Análise temática do COS2018 (percentagens arredondadas), Direção-Geral do Território

 

A floresta passou de perto de 3290 milhares de hectares em 1995 para 3460 milhares em 2018, com as novas áreas a resultar principalmente da conversão de matos (148 mil hectares) e de agricultura (126 mil). Embora com um saldo de crescimento positivo nestes 23 anos, houve também o inverso: áreas florestais convertidas em matos (86 mil), territórios artificializados (41 mil), agricultura (40 mil) e sistemas agroflorestais (30 mil).

 

Evolução da ocupação do solo por floresta (milhares de hectares), 1995 – 2018

Floresta cobre 38,8 de Portugal continental, revela novo COS2018-gráfico

Fonte: COS2015 (2018) e Análise temática do COS2018 (2020), Direção-Geral do Território

 

Nas Estatísticas de Uso e Ocupação do Solo, publicadas pelo INE a partir dos dados do COS2018, a evolução registada pela área florestal entre 2015 e 2018 está mais em evidência, com perdas e ganhos que se saldam por um decréscimo muito ligeiro (0,05%). Esta variação leva o INE a identificar que existiam, em 2018, 38,8% de floresta em Portugal Continental, diferença que não é significativa face aos 39% que o COS2015 já identificava.

Na floresta portuguesa mantém-se a diversidade de espécies, mas sobressaem os povoamentos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), eucaliptos (Eucalyptus spp.) e sobreiro (Quercus suber), com 29%, 27% e 18%, respetivamente.

 

COS2018 por regiões: Centro com 50% de floresta

As áreas florestais são expressivas por todo o país, mas a sua presença não é idêntica em todas as regiões (NUTS II). A sua presença é mais relevante na região Centro, onde se estende por cerca de 50,1% do território, e mais modesta na região de Lisboa (25%), na qual, mesmo assim, ultrapassa os territórios artificializados (22%).

Os sistemas agroflorestais aparecem na Beira Baixa, associados a castanheiros (Castanea sativa) e carvalhos (Quercus) e na zona a sul do Tejo, onde o sobreiro é a espécie com maior expressão. Estes sistemas cobrem 34% do Alentejo central, afirmando-se como a ocupação maioritária, seguida pela agricultura (26%), florestas (20%) e pastagens (14%), revelando a vocação agroflorestal desta zona do país.

As regiões do Algarve e Norte destacam-se pela extensão de matos, de 22% e 27%, que embora inferiores à área florestal (34% e 37%), refletem vastas áreas de solo sem atividade produtiva. No entanto, o seu valor não deve ser menosprezado, sublinha a Análise temática do COS2018, por constituir “uma importante reserva de interesse para a conservação da natureza e da biodiversidade, crucial para a manutenção de serviços dos ecossistemas e fundamental para sustentabilidade e qualidade de vida”.

Num olhar mais próximo, o COS2018 indica que 46% dos municípios portugueses têm mais de 60% de ocupação florestal (muitos deles são contíguos, com localização na Região Centro) e o pinheiro-bravo e eucaliptos destacam-se como as principais espécies florestais. O INE acrescenta ainda que a área florestal, nos municípios do Centro, forma um contínuo territorial em três municípios do Norte (Arouca, Vale de Cambra e Castelo de Paiva) e dois do Sul (Lezíria do Tejo e Alto Alentejo).

 

Ocupação de floresta por concelho (%), 2018

Floresta-cobre-38,8-de-Portugal-continental,-revela-novo-COS2018-interior
Fonte: Direção-Geral do Território (DGT), Uso e Ocupação do Solo em Portugal Continental, Análise Temática #1 – Observatório do Ordenamento do Território e Urbanismo, junho, 2020. Disponível aqui.