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Água

Como é feita a circulação das águas subterrâneas?

A forma como é feita a circulação das águas subterrâneas depende da natureza geológica do aquífero onde a água está armazenada, com variações consoante o tipo e as características das rochas que o compõem.

Existem três tipos de aquíferos: porosos, fraturados ou fissurados e cársicos.

Aquíferos porosos– Estão associados a rochas sedimentares, ou seja, rochas constituídas por inúmeras partículas, que podem ser ou não consolidadas, consoante os sedimentos estão soltos ou compactados, como o calcário. Aqui, a circulação das águas subterrâneas faz-se através de poros. Estes são os aquíferos mais importantes, quer porque se espalham por grande parte do subsolo, quer porque têm uma grande capacidade de armazenamento, o que permite juntar um volume considerável de água num curto espaço de tempo.

Aquíferos fraturados ou fissurados – Estão associados a rochas ígneas (formadas pelo magma ou lava expelida pelos vulcões), como o granito, e metamórficas (que sofrem transformações em função de fatores como a pressão e a temperatura), como a ardósia ou o xisto. Nestes casos, a circulação das águas subterrâneas ocorre nas descontinuidades geológicas, ou seja nas fissuras e fraturas existentes nas rochas. Estes aquíferos são muito heterogéneos e de difícil gestão, embora possam também armazenar água em bastante quantidade.

Aquíferos cársicos – Têm natureza calcária ou dolomítica (sedimentares). A passagem constante da água vai diluindo estas rochas e criando cavidades mais amplas, que permitem a contínua circulação das águas subterrâneas. À medida que estas cavidades se tornam maiores podem formar-se rios subterrâneos, que permitem o transporte rápido de um grande volume de água.

 

Tipos de aquífero

 

Fonte: http://www.leb.esalq.usp.br/leb/disciplinas/Fernando/leb1440/Aula%208/Transparencias/Agua_subterranea-%20portugual.pdf

 

As águas subterrâneas são captadas e usadas em várias atividades socioeconómicas: consumo humano, tratamentos hidrotermais, rega e indústria. Estes usos requerem geralmente a construção de captações a partir dos aquíferos. Em Portugal, a água subterrânea é captada através de:

• Nascentes: emergências naturais de água à superfície, não sendo necessária qualquer construção;
• Poços: captações pouco profundas de largo diâmetro;
• Galerias ou minas: desenvolvem-se horizontalmente (túneis) até intercetar a água subterrânea;
• Furos: captações com dezenas ou centenas de metros de profundidade, de reduzido diâmetro, que permitem captar volumes elevados de água com boa qualidade (são as mais usadas atualmente).

Uma vez que a água subterrânea faz parte do ciclo da água, o volume de água nos aquíferos tende a ser reposto anualmente, pelas chuvas de outono e inverno (recarga). No entanto, quando o volume captado ao longo de um ano é superior ao volume anual de recarga, a água do aquífero diminui. Isto significa que estamos a usar mais recursos do que aqueles que a natureza é capaz de repor, ou seja, que estamos a sobre-explorar o aquífero, fazendo dele uma gestão que não é sustentável. Desse modo, o volume de água do aquífero será menor ano após ano.

 


Desenvolvido em colaboração com João Nascimento.

João Nascimento é Engenheiro de Recursos Hídricos pela Universidade de Évora e doutorado pelo Instituto Superior Técnico em ciências de engenharia. Tem desenvolvido a sua atividade profissional no âmbito da hidrogeologia e estado envolvido em projetos de investigação no Instituto Superior Técnico. Como especialista em recursos hídricos, participa em projetos de cooperação e desenvolvimento das Nações Unidas, Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Africano de Desenvolvimento e Millenium Challenge Corporation (EUA), entre outras organizações. É autor ou coautor de cerca de 70 trabalhos científicos.

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