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Água

O que são águas subterrâneas?

De uma forma simples, águas subterrâneas correspondem a toda a água doce existente no subsolo no estado líquido. Quando estas águas se juntam em grandes volumes, formam uma massa de água que se designa por aquífero (do latim aqua – água, e fero– leva ou carrega).

Apenas cerca de 3% de toda a água existente no planeta é doce. Desta, cerca de 77% está retida nas zonas polares; 1% corresponde à água superficial (em ribeiras, rios, lagoas, na atmosfera e na superfície do solo) e os restantes 22% são as águas subterrâneas.

Todas as formas de água (sólida como no granizo, neve ou gelo; líquida como nos rios ou na chuva; e gasosa no vapor de água) estão dinamicamente ligadas no espaço e no tempo através do ciclo da água ou ciclo hidrológico. Tomar consciência deste facto é um primeiro passo para uma gestão eficiente dos recursos hídricos, uma vez que a utilização de água de uma origem subterrânea tem impacte nas águas superficiais e vice-versa.

 

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Parte da água da chuva escorre à superfície, outra parte evapora e a restante infiltra-se no solo. Da água que se infiltra, parte fica retida no solo e a restante desce, ajudada pela força da gravidade, até atingir uma zona saturada, ou seja, uma área onde todos os poros do solo já estão preenchidos por água. Ao limite superior desta área saturada dá-se o nome de superfície piezométrica.

Quando a água infiltrada entra na zona saturada, como não se pode infiltrar mais, desloca-se para níveis de água mais baixos. Quando estes níveis intercetam a superfície do terreno, as águas deixam de estar confinadas e alimentam os rios e lagos. Esta contribuição da água subterrânea para as águas superficiais é muito importante para a manutenção de ecossistemas e existem alguns que dependem totalmente destas águas subterrâneas.

Apesar de estarem armazenadas em profundidade, as águas subterrâneas são vulneráveis à contaminação. A poluição pode ter origem agrícola, urbana, industrial ou pecuária, entre outras. A descontaminação dos aquíferos é muito lenta e dispendiosa. Por isso, torna-se essencial a sua proteção para as gerações futuras.

Existem várias ferramentas de gestão do uso do solo para limitar a contaminação das águas subterrâneas, como por exemplo, a definição de zonas de proteção das captações de água, a monitorização da qualidade da água, a limitação e controlo das atividades poluentes, as boas práticas agrícolas, florestais e pecuárias e até o investimento em redes de saneamento.

 


Desenvolvido em colaboração com João Nascimento.

João Nascimento é Engenheiro de Recursos Hídricos pela Universidade de Évora e doutorado pelo Instituto Superior Técnico em ciências de engenharia. Tem desenvolvido a sua atividade profissional no âmbito da hidrogeologia e estado envolvido em projetos de investigação no Instituto Superior Técnico. Como especialista em recursos hídricos, participa em projetos de cooperação e desenvolvimento das Nações Unidas, Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Africano de Desenvolvimento e Millenium Challenge Corporation (EUA), entre outras organizações. É autor ou coautor de cerca de 70 trabalhos científicos.

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