Dinâmica Rural
A partir do século XIV, para além do crescimento demográfico e do consequente desenvolvimento da agricultura e pastorícia, da utilização de madeira na construção e da lenha e carvão como combustível, outros fatores tiveram impacte na redução da área florestal, como explicam os artigos “Arborização e desarborização em Portugal” (revista Informação Florestal nº 8, 1991) e “A construção naval e a destruição do coberto florestal em Portugal”. A saber:
– a expansão da construção naval na era dos Descobrimentos e, mais tarde, na manutenção do império colonial português. Foram construídos milhares de navios, principalmente nos séculos XV e XVI. Só a conquista de Ceuta envolveu 200 navios, a ligação à Índia 700 e ao Brasil mais 300.
– a abertura das Tapadas e Coutadas reais e privadas por D. Manuel, em 1498, permitiu que estas zonas anteriormente vedadas fossem usadas como fonte de madeira;
– o terramoto de 1755 e as invasões Francesas, não só pelos estragos, mas também pelo consumo de madeira a que obrigaram as reconstruções e reparações;
– a nacionalização dos bens do clero, iniciada com a revolução liberal de 1820 e completada pela legislação republicana após 1910. As terras da Igreja passaram a Bens Nacionais e, posteriormente, para as mãos de privados que transformaram zonas florestais em vinhas ou culturas de milho ou centeio;
– a privatização dos baldios, iniciada nos finais do século XVII e muito acentuada no séc. XIX;
– as campanhas cerealíferas que desde finais do século XIX incentivaram o cultivo, mesmo em situações desfavoráveis, e que levaram à destruição de manchas florestais e a fenómenos de erosão que também contribuíram para a redução da área florestal;
– a construção dos caminhos de ferro, iniciada em 1856, que consumiu uma grande quantidade de madeira;
– a doença da tinta do castanheiro, que destruiu grandes áreas de soutos e castinçais;
– e, já no século XX, o ciclone de 1941 e os problemas decorrentes dos incêndios e das pragas e doenças.
História
A floresta portuguesa ocupa hoje mais de um terço do território português, uma área quase quatro vezes superior à do início do século XIX. As florestas primitivas de carvalhos desapareceram, sendo a floresta atual maioritariamente plantada. As alterações resultam da ação humana sistemática sobre o território, associada aos grandes fatores socioeconómicos que marcaram a dinâmica rural e a história portuguesa nos últimos 200 anos.
Indicadores Florestais
Em Portugal, a idade das florestas situa-se, na maioria dos casos, entre os 20 e os 80 anos, uma tendência em linha com a Europa. Em termos de saúde, as principais fontes de danos nas florestas são pragas e doenças.