Durante muitos anos, o carvalho-de-monchique foi, para a maioria dos portugueses, apenas mais uma árvore rara, escondida nas serras húmidas do sudoeste ibérico. Hoje sabemos que é muito mais do que isso: trata-se de uma das árvores mais ameaçadas da flora portuguesa e de uma verdadeira relíquia biogeográfica associada às florestas maduras e húmidas do sudoeste de Portugal. Estes ecossistemas únicos concentram, aliás, algumas das espécies mais raras e vulneráveis do país.
A madeira é, talvez, o material de construção mais elementar da humanidade, tendo acompanhado a nossa evolução desde as primeiras cabanas até às catedrais medievais. No entanto, o seu percurso na engenharia moderna, durante o seculo XX, foi um autêntico sobe e desce a nível de procura e desempenho. Nos finais desse século, o cenário inverteu-se e a madeira voltou a ser considerada como um material de engenharia e construção de alta tecnologia.
Um levantamento recente da biodiversidade nas florestas de Arouca, feito com recurso a vestígios de ADN ambiental, revelou a presença de 339 espécies ou géneros animais em zonas florestais de conservação e de 191 espécies ou géneros em zonas florestais de produção. Os dados sobre a sua presença e dinâmicas ajudam a traçar estratégias que favoreçam a diversidade a longo prazo em florestas geridas com diferentes objetivos.
Promover a biodiversidade de espécies vegetais nas pastagens permanentes permite que estes ecossistemas se mantenham funcionais, ou melhor, multifuncionais. O pastoreio extensivo pode ajudar a aumentar esta diversidade e as sinergias que daqui resultam refletem-se em muitos outros benefícios, para além de uma melhor nutrição para o gado: abrigo e alimento para a fauna silvestre, proteção e fertilidade do solo, aumento das suas reservas de carbono e redução do risco de incêndio são alguns exemplos.
Há grande obra a fazer em Portugal e foi por isso que, depois das enormes tempestades que nos assolaram em Portugal, entre 22 de Janeiro e 8 de Fevereiro de 2026, mas com os olhos postos no futuro, redigi este texto. Não se trata de uma simples teoria, em que a academia tem sido especialista, mas, infelizmente, desacreditada ou ignorada. Este texto procura ajudar e não criticar. Para criticar já temos oposição e demagogos que bastem.
A depressão Kristin fustigou territórios que já apresentavam elevada fragilidade estrutural. Os danos em habitações, infraestruturas de comunicações e redes elétricas são preocupantes, mas a destruição do tecido económico florestal é um dano de longo prazo que pode ser irreversível se não agirmos com celeridade e visão estratégica. Subitamente temos um mercado inundado de madeira, que colapsa sob o peso da própria oferta. Os parques públicos de madeiras fazem parte da solução.