A floresta da Madeira e as outras áreas arborizadas deste arquipélago ocupam um total de 37,5 mil hectares, cobrindo perto de 48% do território das ilhas da Madeira e Porto Santo. Os números são apresentados no terceiro Inventário Florestal desta Região Autónoma, que indica um aumento de 3,1 mil hectares na área florestal entre 2015 e 2025.
O descortiçamento é central para a sustentabilidade económica dos montados de sobro, mas em anos de seca esta prática ancestral tem custos fisiológicos. Um novo trabalho de investigadores portugueses comprovou que, nestas circunstâncias, os sobreiros consomem as suas reservas de carbono, causando uma “crise de carbono” que os deixa vulneráveis a outras pressões.
Dezanove anos depois de ter sido avançada a necessidade de uma legislação do solo, que protegesse este recurso no território da União Europeia (UE), foi aprovada a Diretiva da Monitorização do Solo. O objetivo é colocar a UE num caminho que lhe permita ter os seus solos saudáveis até 2050. As medidas concretas incluem a monitorização harmonizada do solo com base em sistemas nacionais, a avaliação e apoio à saúde e resiliência dos solos e a gestão de locais contaminados.
A questão deixou de ser a ausência de instrumentos. A questão é a capacidade de execução consistente, focada e continuada.
Este texto nasce da minha intervenção na apresentação pública do livro “Moreira da Silva, um Pioneiro da Ação Florestal”, recentemente publicado. Não é uma transcrição literal desse momento, mas uma reflexão amadurecida, motivada pelo reconhecimento de um legado que importa revisitar, discutir e, sobretudo, aplicar.
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