A configuração das florestas de carvalhos ibéricos vai mudar ao longo do século XXI, influenciada pelas pressões das alterações climáticas, que irão promover a substituição progressiva das espécies menos tolerantes à seca por outras adaptadas a condições mais quentes e áridas.
Estas dinâmicas foram projetadas por uma equipa multidisciplinar de investigadores portugueses das áreas da ecologia, geografia, silvicultura e biologia – Isabel Passos, Albano Figueiredo, João Gonçalves, Maria Margarida Ribeiro e Carlos Vila‑Viçosa. As suas conclusões foram divulgadas em março de 2026, no artigo Exploring turnover dynamics in Iberian Oak forests under climate change scenarios, publicado na revista científica Discover Conservation.
O estudo focou‑se em três espécies de carvalhos ibéricos que dominam as florestas maduras nas áreas onde encontram condições ótimas para se desenvolver: sobreiro (Quercus suber), carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e carvalho-alvarinho (Quercus robur). Em termos geográficos, o trabalho abrangeu a Península Ibérica, ou seja, os territórios continentais de Portugal e Espanha, Andorra, Gibraltar e partes do sul dos Pirenéus em França.
Nesta área geográfica, os investigadores desenvolveram modelos para prever a distribuição potencial futura das três espécies, em dois intervalos temporais, 2041–2070 e 2071–2100, e em dois cenários climáticos, um intermédio (SSP3-7.0) e um mais severo (SSP5-8.5), ambos incluídos no 6.º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (AR6, IPCC). Os modelos de distribuição das espécies, cruzados com estatística e machine learning, consideraram variáveis relacionadas com os solos, o clima e a topografia.
Embora os cenários e períodos testados façam variar os resultados das projeções, todas elas antecipam uma reconfiguração das florestas de carvalhos ibéricos impulsionada pelas alterações climáticas, com alterações na localização e dimensão das áreas potenciais de cada espécie e com a substituição das espécies dependentes de maior humidade pelas mais adaptadas à seca. O sobreiro surge como a espécie com melhor capacidade de adaptação ecológica e como a que terá melhores condições para se expandir.