Quem projeta e cuida das árvores das cidades conta, desde março de 2025, com um novo manual que apoia o planeamento, implementação, proteção e gestão das infraestruturas verdes: o “Guia de boas práticas para a gestão do arvoredo urbano”.
Útil a técnicos municipais, engenheiros, arquitetos paisagistas e outros profissionais envolvidos na gestão do arvoredo urbano, incluindo decisores políticos, este guia apresenta uma abordagem prática e sistemática para uma gestão sustentável, segura e informada destas infraestruturas verdes.
A edição foi coordenada pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas – que o disponibiliza no seu site – e o desenvolvimento científico esteve a cargo do ISA – Instituto Superior de Agronomia e da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, agregando ainda os contributos e experiências de múltiplas entidades regionais e ambientais.
Desenvolvido em consonância com as normas previstas no Regime Jurídico de Gestão do Arvoredo Urbano (Lei n.º 59/2021), dá aos profissionais dos municípios, do Estado e de outras entidades (incluindo privadas) as orientações técnicas que os apoiam em praticamente todas as intervenções, desde o planeamento e execução de plantações, à avaliação da segurança das árvores e à implementação de medidas fitossanitárias, passando pelas técnicas de poda e transplante.
Entre as temáticas focadas é possível conhecer também o papel do arvoredo urbano para a resiliência e sustentabilidade das cidades (assim como para a qualidade de vida das suas populações) e o próprio guia defende o envolvimento direto dos cidadãos na criação, manutenção e valorização da estrutura ecológica das cidades.
Os serviços de ecossistema são outro dos temas contempladas neste guia dedicado à gestão do arvoredo urbano, em perspetivas que abrangem a quantificação do valor das árvores das cidades (incluindo o cálculo indispensável para o pagamento de medidas compensatórias em caso de danos ou destruição de árvores urbanas) e do carbono que retêm.
Referem-se vários dos métodos que têm sido utilizados para fazer a valorização das árvores, salientando-se:
- Norma Granada – descrito como o método mais comum em Portugal. Considera aspetos ambientais, socioculturais, paisagísticos e económicos, e estabelece critérios distintos consoante a árvore cujo valor se pretende calcular pode ser (ou não) substituída por outra árvore similar.
- Pacote de ferramentas i-Tree – referido como o mais exigente sistema de avaliação no que respeita aos dados necessários, mas também como aquele que produz resultados mais detalhados sobre os benefícios anuais fornecidos pelas árvores, ponderando, em simultâneo, os respetivos custos de gestão.
Para o cálculo do carbono são identificadas também várias metodologias, incluindo softwares como o já citado i-Tree ou o “ecoSmart Landscapes”, mas para quem pretender aprofundar o tema, o Anexo 6 é integralmente dedicado às equações e bibliografia que apoiam a estimativa da biomassa total das árvores, variável a partir da qual se calcula o carbono por elas retido.