Traduzir dados técnicos em informação útil para agir
“A gestão do território em Portugal enfrenta uma lacuna entre boas políticas públicas e ação individual. Não é uma falha de intenção, mas de tradução”, refere Alex Griekspoor, CEO da empresa promotora da nova plataforma e um dos cofundadores da plataforma Land.OS, que recorre à inteligência artificial para traduzir a observação da Terra em dados acessíveis.
A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural do ICNF responde à geografia de risco de incêndio estrutural de longo prazo. O mapa de 2026 desenvolvido para a plataforma “A Minha Terra” acrescenta as condições de risco para este ano. “Ambos estão corretos. Apenas respondem a perguntas diferentes”, sublinha Alex Griekspoor.
“A Minha Terra” foi pensada para dar resposta à segunda questão e estabelecer esta ponte entre a informação técnica oficial e o conhecimento de que os proprietários necessitam para poderem agir.
Biólogo celular de formação, Alex Griekspoor passou a maioria da sua carreira a desenvolver software para cientistas. Há 15 anos a viver em Portugal, o neerlandês está convicto de que a plataforma torna compreensível o risco de incêndio para os proprietários e de que a lista de práticas aconselhadas promove a ação, ajudando “a fechar a lacuna que sempre existiu entre a informação nacional de risco e aquilo que um proprietário faz” com essa informação.
Refira-se que, para cada quadrícula de território, de 10 por 10 metros, a tecnologia LUCI que suporta a plataforma “A Minha Terra” – tecnologia desenvolvida pelo parceiro do projeto MEJOR Technologies – combina seis fatores e classifica a paisagem de acordo com a suscetibilidade relativa a incêndio rural para a época atual:
- Cobertura do solo: Tipo de superfície presente: floresta, matos, terrenos agrícolas, áreas urbanizadas ou solo descoberto.
- Estado da vegetação, avaliando o grau de vigor ou de secura da vegetação, observado através de imagens satélite recentes.
- Exposição da superfície, analisando se o solo é predominantemente vegetado ou aberto.
- Características do terreno, considerando inclinação, altitude e exposição solar.
- Presença humana, tendo em conta a proximidade de estradas, edifícios e população (pois a maioria das ignições ocorre mais próximo dos locais onde existe atividade humana).
- Histórico recente de incêndios, incorporando os dados sobre as áreas afetadas por incêndios nos últimos anos, onde a quantidade de vegetação combustível tendencionalmente diminuiu e ainda não recuperou.