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09.06.2026

Como reduzir o risco de incêndio em 2026? Plataforma “A Minha Terra” indica como gerir vegetação

Como reduzir o risco de incêndio em 2026? Plataforma “A Minha Terra” indica como gerir vegetação

Ao introduzir a localização do seu terreno na nova plataforma “A Minha Terra”, o proprietário fica a saber se a parcela se encontra numa zona com maior (ou menor) risco de incêndio em 2026 e recebe recomendações práticas para gerir a vegetação. De acesso gratuito, a plataforma foi criada para traduzir informação técnica e dados de satélite em orientações simples, atuais e úteis para quem precisa de agir antes do período mais crítico de incêndios.

A plataforma “A Minha Terra” cruza a informação da Carta de Perigosidade de Incêndio Rural, publicada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para o período 2020-2030, com dados recentes sobre o estado da vegetação. O objetivo é mostrar onde as condições observadas no terreno em 2026 podem agravar ou reduzir a suscetibilidade a incêndio face ao risco estrutural identificado oficialmente.

Com dados de satélite que retratam o território das 3049 freguesias de Portugal continental numa grelha de 10 por 10 metros, a plataforma “A Minha Terra” criou um mapa sazonal que acrescenta uma camada atualizada de informação à Carta estrutural oficial. Esta leitura permite aos proprietários florestais conhecer melhor as condições de vegetação na zona onde se localizam os seus terrenos.

Com base nesta informação, a plataforma apoia os proprietários a perceber que práticas de gestão da vegetação serão mais adequadas para reduzir o risco de ignição e propagação do fogo.

A partir de uma lista de práticas de limpeza de terrenos e consoante a localização da parcela identificada, a plataforma indica as ações mais ajustadas ao risco de incêndio em 2026, tendo em conta os dados de satélite que cruzam informação sobre revelo, histórico recente de incêndios, proximidade de populações, cobertura do solo, acumulação e densidade da vegetação.

“A Minha Terra” está acessível gratuitamente desde 2 de junho, a tempo de ser consultada pelos proprietários antes de 30 de junho, data-limite para realizar a gestão da vegetação em 2026.

Onde se alterou o risco de incêndio em 2026?

O novo mapa sazonal de suscetibilidade a incêndios disponibilizado na plataforma “A Minha Terra” permite uma visão atualizada e realista dos locais onde a necessidade de remover a vegetação excessiva é mais urgente – e eventualmente mais exigente em termos de práticas no terreno – para reduzir o risco.

Com base nestes dados, o mapa de suscetibilidade a incêndios de 2026 indica semelhanças relativamente à Carta estrutural, mas também divergências sazonais.

– Onde se reduziu o risco em 2026?

Em algumas áreas do interior Centro.

São áreas onde o risco de incêndio rural é estruturalmente elevado, mas que foram afetadas por incêndios em 2025 e ainda não recuperaram. Como têm pouca vegetação, o risco em 2026 é inferior à referência estrutural. É o caso de Pampilhosa da Serra, Arganil, Covilhã e concelhos vizinhos. “Para os proprietários cujos terrenos arderam no verão passado, a pressão sazonal imediata é atualmente inferior àquela que o mapa estrutural, isoladamente, poderia sugerir”, referem os responsáveis da plataforma.

– Onde aumentou o risco de incêndios rurais em 2026?

No interior do Algarve e em partes do Vale do Tejo.

Depois de um inverno muito chuvoso, o interior do Algarve e partes do Vale do Tejo apresentam um crescimento invulgarmente elevado da vegetação, aumentando o risco nesta época de incêndios, face às indicações estruturais.

Duas em cada três freguesias do Algarve apresentam esta época sinais de vegetação que tornam o risco de incêndio rural mais elevado e “este é precisamente o tipo de sinal sazonal que importa identificar”.

Como reduzir o risco de incêndio em 2026? Plataforma “A Minha Terra” indica como gerir vegetação

Nota: os mapas, em formato interativo, podem ser consultados e usados em https://perspetiva.aminhaterra.pt/pt.

Esta informação é particularmente importante para os proprietários de parcelas em regiões onde o risco de incêndio em 2026 é mais elevado do que o risco estrutural, pois os proprietários destas parcelas estão menos habituados a gerir e prevenir este risco. Torna-se ainda mais relevante para proprietários ausentes e para os que, mesmo sabendo que têm de proceder à limpeza do seu terreno, desconhecem o tipo atuação mais adequado.

Traduzir dados técnicos em informação útil para agir

“A gestão do território em Portugal enfrenta uma lacuna entre boas políticas públicas e ação individual. Não é uma falha de intenção, mas de tradução”, refere Alex Griekspoor, CEO da empresa promotora da nova plataforma e um dos cofundadores da plataforma Land.OS, que recorre à inteligência artificial para traduzir a observação da Terra em dados acessíveis.

A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural do ICNF responde à geografia de risco de incêndio estrutural de longo prazo. O mapa de 2026 desenvolvido para a plataforma “A Minha Terra” acrescenta as condições de risco para este ano. “Ambos estão corretos. Apenas respondem a perguntas diferentes”, sublinha Alex Griekspoor.

“A Minha Terra” foi pensada para dar resposta à segunda questão e estabelecer esta ponte entre a informação técnica oficial e o conhecimento de que os proprietários necessitam para poderem agir.

Biólogo celular de formação, Alex Griekspoor passou a maioria da sua carreira a desenvolver software para cientistas. Há 15 anos a viver em Portugal, o neerlandês está convicto de que a plataforma torna compreensível o risco de incêndio para os proprietários e de que a lista de práticas aconselhadas promove a ação, ajudando “a fechar a lacuna que sempre existiu entre a informação nacional de risco e aquilo que um proprietário faz” com essa informação.

Refira-se que, para cada quadrícula de território, de 10 por 10 metros, a tecnologia LUCI que suporta a plataforma “A Minha Terra” – tecnologia desenvolvida pelo parceiro do projeto MEJOR Technologies – combina seis fatores e classifica a paisagem de acordo com a suscetibilidade relativa a incêndio rural para a época atual:

  1. Cobertura do solo: Tipo de superfície presente: floresta, matos, terrenos agrícolas, áreas urbanizadas ou solo descoberto.
  2. Estado da vegetação, avaliando o grau de vigor ou de secura da vegetação, observado através de imagens satélite recentes.
  3. Exposição da superfície, analisando se o solo é predominantemente vegetado ou aberto.
  4. Características do terreno, considerando inclinação, altitude e exposição solar.
  5. Presença humana, tendo em conta a proximidade de estradas, edifícios e população (pois a maioria das ignições ocorre mais próximo dos locais onde existe atividade humana).
  6. Histórico recente de incêndios, incorporando os dados sobre as áreas afetadas por incêndios nos últimos anos, onde a quantidade de vegetação combustível tendencionalmente diminuiu e ainda não recuperou.