Múltiplos benefícios das pastagens permanentes e do pastoreio extensivo
Para além de produzirem “erva” para os ruminantes, as pastagens permanentes podem proporcionar alimentos para diferentes tipos de aves, caça para inúmeros predadores, zonas de refúgio para insetos, pequenos mamíferos e aves, répteis ou anfíbios, assim como espaço para as sementes, assegurando uma regeneração adequada das espécies vegetais, que também fornecem sombra e conforto térmico aos diversos animais.
Além deste tipo de uso, o pastoreio extensivo ajuda a gerir e controlar a biomassa combustível existente em diferentes tipos de ecossistemas, transformando áreas abandonadas em pastagens, mantendo as florestas adequadas ao pastoreio e criando descontinuidades na paisagem, o que reduz o risco e a gravidade dos incêndios.
No solo, o pastoreio extensivo tem outro benefício importante: ajuda a conservar as espécies que se alimentam de fezes – os chamados animais coprófagos. Estes organismos têm um papel fundamental na decomposição e na reciclagem de nutrientes, contribuindo para a saúde e fertilidade do solo.
No Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 – estratégia portuguesa para alcançar um balanço neutro entre as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o sequestro de carbono até 2050 –, as pastagens permanentes biodiversas são destacadas como uma das principais soluções para um outro objetivo: reduzir as emissões de GEE no sector agrícola e florestal. O seu contributo é fundamental para o sequestro líquido de carbono: aumentam o armazenamento de carbono no solo e melhoram outros serviços do ecossistema que dependem dessa diversidade.
A boa gestão destas pastagens, ou dizendo de outra forma, o pastoreio adequado poderá promover o aumento da diversidade de espécies de plantas e manter uma boa cobertura vegetal do solo. Desta forma, contribui de uma forma “amiga do ambiente” para o aumento da eficiência das explorações agropecuárias ou agrossilvopastoris e para a adaptação às alterações climáticas.
Contrariar tendências, promover biodiversidade e resiliência das pastagens
Sabemos que a biodiversidade (variedade de espécies, genes e ecossistemas) é essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a manutenção dos ciclos vitais que sustentam a vida na Terra. Regula processos naturais como os ciclos da água, carbono e azoto, garantindo serviços fundamentais — desde a formação do solo ao controlo de pragas, filtragem do ar e regulação do clima.
Além do valor ecológico, a biodiversidade é crucial para a economia, já que grande parte da produção global depende de recursos naturais, e até para a saúde humana, pois o uso de plantas medicinais, praticado desde a antiguidade, pode até ser considerado a origem da medicina moderna. E a diversidade de plantas é a base que sustenta a eficiência e a resiliência dos sistemas agrários, da produção agrícola sustentável e da segurança alimentar.
Apesar de todo este valor, a biodiversidade vegetal enfrenta um declínio acelerado num contexto global de extinções sem precedentes:
- Estima-se que existam cerca de oito milhões de espécies de plantas e animais no planeta, mas até um milhão poderá desaparecer nas próximas décadas devido à perda de habitat, às alterações climáticas, à proliferação de espécies invasoras e à degradação dos ecossistemas.
- Cerca de 25% das espécies avaliadas, incluindo plantas, encontram-se ameaçadas, e mais de 500 mil espécies terrestres – muitas delas vegetais – já não dispõem de habitat suficiente para garantir a sua sobrevivência a longo prazo se não beneficiarem de restauro ecológico.
- Desde 1900, registou-se uma redução superior a 20% na abundância de espécies nativas, acompanhada por uma queda de cerca de 30% na integridade dos habitats terrestres, fatores que afetam diretamente a diversidade vegetal.
Reconhecendo o valor do mundo vegetal, o INIAV – Instituto de Inovação Agrária e Veterinária e mais precisamente o seu Polo de Inovação de Elvas integra, no seu plano de atividades regulares, o desenvolvimento de programas de melhoramento genético vegetal clássicos, dirigidos a espécies pratenses e/ou forrageiras. Em resultado, dispõe de variedades de leguminosas e gramíneas, muitas das quais usadas pelos agricultores em Portugal e noutros países da Europa e América do Sul.
Desta forma, o INIAV contribui para aumentar a diversidade, resiliência e funcionalidade das pastagens permanentes, minimizando os riscos associados a fatores tão diversos, como o aumento das espécies invasoras, as pressões humanas e as alterações climáticas.