Incêndios Rurais
Reduzir o número e a severidade dos incêndios rurais exige uma abordagem integrada de preparação, prevenção, gestão e combate, que permita atuar sobre os principais fatores que determinam o risco de incêndio e o comportamento do fogo.
De acordo com recomendações dos especialistas, entre os aspetos de prevenção, gestão e combate que podem ser melhorados em Portugal, incluem-se:
– Reduzir o número de ignições de origem humana, em particular as negligentes e acidentais, que continuam a representar a maioria das ocorrências em Portugal, através da prevenção, sensibilização, fiscalização e restrição de atividades de risco durante períodos meteorológicos favoráveis à ocorrência de incêndios de grande dimensão;
– Promover uma gestão florestal ativa e sustentável, criando condições para aumentar a área sob gestão profissional e responsável, reduzindo a acumulação de vegetação combustível e a vulnerabilidade dos povoamentos florestais aos incêndios, pragas, doenças e eventos climáticos extremos;
– Desenvolver uma infraestrutura estratégica de proteção da paisagem, assente em redes primárias e secundárias de faixas de gestão de combustível, mosaicos de parcelas com diferentes usos e ocupações do solo, uma rede viária florestal operacional e pontos de água adequadamente distribuídos, aumentando a compartimentação da paisagem e a capacidade de contenção dos incêndios;
– Reforçar a capacidade de análise e decisão operacional do combate aos incêndios, através da utilização de sistemas de informação geográfica, modelação do comportamento do fogo e apoio à decisão em tempo real, permitindo adequar as estratégias de supressão às características de cada incêndio e tirar partido dos investimentos realizados na prevenção estrutural, reduzindo a severidade dos incêndios rurais;
– Capacitar os meios de resposta para atuar em incêndios de elevada intensidade, reforçando a formação em técnicas de combate indireto (por exemplo, criar aceiros com equipamento pesado e usar um contrafogo para limpar a vegetação) e aumentando a eficácia das ações de rescaldo e vigilância pós-incêndio para minimizar a ocorrência de reacendimentos.
A evidência científica demonstra que a redução da severidade dos incêndios rurais depende da integração ou combinação entre a diminuição das ignições, a gestão ativa dos combustíveis, a criação de paisagens mais heterogéneas (mais resilientes ao fogo) e o reforço da capacidade de decisão operacional.
A gestão dos combustíveis à escala da paisagem, através da diversificação dos usos do solo, da promoção de mosaicos agroflorestais e da redução da continuidade da vegetação, é amplamente reconhecida como uma das medidas mais eficazes para limitar a propagação e a intensidade dos incêndios de grande dimensão.
Num contexto de alterações climáticas, estas medidas tornam-se particularmente relevantes, uma vez que o aumento da frequência e intensidade de episódios de calor extremo, secas prolongadas e condições meteorológicas favoráveis ao fogo poderá ampliar o potencial para incêndios de elevada intensidade e severidade.
Caso de Estudo
Em 45 anos registaram-se 42 incêndios rurais na freguesia de Alvares. A maior parte da área ardida resultou de grandes incêndios. O passado recente veio reforçar que o risco de grandes incêndios é elevado, mas não inevitável. Entre 2017 e 2018, um projeto-piloto demonstrou que há várias estratégias possíveis para que o território de Alvares aumente a resiliência ao fogo ao longo das próximas décadas. Conheça este caso de estudo.
Fogo
Nos últimos anos, tem aumentado o número de grandes incêndios que atingem as áreas rurais. Pela dimensão e intensidade do fogo, esta nova geração de incêndios dá origem a áreas ardidas mais extensas, com impacte socioeconómico significativo e perda de vidas.