Incêndios Rurais
O comportamento do fogo – ou seja, a forma como os combustíveis entram em ignição, a combustão que se desenvolve e o incêndio que se propaga no território – depende das interações entre:
É nestes três fatores que assenta o conceito de triângulo do comportamento do fogo, um modelo usado na ciência e na gestão dos incêndios rurais.
Em conjunto com o fator tempo, combustíveis, meteorologia e topografia condicionam a evolução de um incêndio: determinam a velocidade a que se propaga, a intensidade da frente de fogo, a altura das chamas e a ocorrência de comportamentos extremos.

A topografia é um fator estrutural que varia no espaço, mas é tendencialmente estável no tempo. Condiciona a circulação do ar, a transferência de calor e a configuração espacial dos combustíveis.
Os combustíveis (vegetação) avariam no espaço e no tempo. As suas características – carga ou quantidade, continuidade horizontal e vertical, composição e teor de humidade – são determinantes para a combustibilidade da paisagem. A gestão dos combustíveis é o único componente do triângulo passível de intervenção direta pelo ser humano.
A meteorologia é, contudo, o componente mais dinâmico do triângulo do comportamento do fogo. Variáveis como a temperatura do ar, a humidade relativa, a velocidade e direção do vento, bem como a estabilidade atmosférica, influenciam diretamente os processos de ignição e propagação, podendo potenciar fenómenos de comportamento extremo do fogo.
No contexto português, o atual regime de fogo reflete uma crescente acumulação e continuidade de biomassa à escala da paisagem, resultante de alterações do uso do solo, do abandono rural e da expansão de matos e florestas. Estas condições potenciam incêndios de maior intensidade e severidade, com consequências significativas na evolução dos incêndios rurais em Portugal, especialmente quando se verificam condições meteorológicas extremas.
Caso de Estudo
As florestas têm um papel importante no ciclo hidrológico e na proteção contra a erosão e a degradação do solo. No entanto, as perturbações derivadas das alterações climáticas estão a afetar a sua resiliência. O projeto europeu “LIFE Resilient Forests” tem como principal objetivo desenvolver uma ferramenta de apoio à gestão florestal integrada ao nível da bacia hidrográfica para promover ecossistemas e florestas mais resilientes. Conheça o caso de estudo nacional do projeto, neste artigo em colaboração com Maria Gonzalez e Miguel Almeida.
Caso de Estudo
Em 45 anos registaram-se 42 incêndios rurais na freguesia de Alvares. A maior parte da área ardida resultou de grandes incêndios. O passado recente veio reforçar que o risco de grandes incêndios é elevado, mas não inevitável. Entre 2017 e 2018, um projeto-piloto demonstrou que há várias estratégias possíveis para que o território de Alvares aumente a resiliência ao fogo ao longo das próximas décadas. Conheça este caso de estudo.