Anterior Próximo

Incêndios Rurais

Que fatores condicionam o comportamento do fogo?

O comportamento do fogo – ou seja, a forma como os combustíveis entram em ignição, a combustão que se desenvolve e o incêndio que se propaga no território – depende das interações entre:

  • combustíveis
  • meteorologia
  • topografia

É nestes três fatores que assenta o conceito de triângulo do comportamento do fogo, um modelo usado na ciência e na gestão dos incêndios rurais.

Em conjunto com o fator tempo, combustíveis, meteorologia e topografia condicionam a evolução de um incêndio: determinam a velocidade a que se propaga, a intensidade da frente de fogo, a altura das chamas e a ocorrência de comportamentos extremos.

Triângulo do fogo e triângulo do comportamento do fogo

Enquanto o triângulo do fogo descreve os processos físico-químicos que sustentam a combustão –
combustível, oxigénio e calor – o triângulo do comportamento do fogo (fire behavior triangle) representa os fatores ambientais que condicionam a propagação dos incêndios rurais – combustíveis, meteorologia e topografia. Em conjunto, estes modelos permitem compreender, primeiro, porque ocorre a combustão e, depois, como evoluem os incêndios na paisagem. Esta informação ajuda a conhecer como podem ser prevenidos, controlados ou mitigados.

 

Os três vértices do triângulo do comportamento do fogo

 

A topografia é um fator estrutural que varia no espaço, mas é tendencialmente estável no tempo. Condiciona a circulação do ar, a transferência de calor e a configuração espacial dos combustíveis.

Os combustíveis (vegetação) avariam no espaço e no tempo. As suas características – carga ou quantidade, continuidade horizontal e vertical, composição e teor de humidade – são determinantes para a combustibilidade da paisagem. A gestão dos combustíveis é o único componente do triângulo passível de intervenção direta pelo ser humano.

A meteorologia é, contudo, o componente mais dinâmico do triângulo do comportamento do fogo. Variáveis como a temperatura do ar, a humidade relativa, a velocidade e direção do vento, bem como a estabilidade atmosférica, influenciam diretamente os processos de ignição e propagação, podendo potenciar fenómenos de comportamento extremo do fogo.

No contexto português, o atual regime de fogo reflete uma crescente acumulação e continuidade de biomassa à escala da paisagem, resultante de alterações do uso do solo, do abandono rural e da expansão de matos e florestas. Estas condições potenciam incêndios de maior intensidade e severidade, com consequências significativas na evolução dos incêndios rurais em Portugal, especialmente quando se verificam condições meteorológicas extremas.

 

Anterior Próximo