Bioeconomia
A pegada ecológica é um indicador que mede a pressão das atividades humanas sobre os recursos naturais disponíveis no planeta. Permite comparar a procura humana de recursos naturais com a capacidade dos ecossistemas para os fornecer e regenerar – a chamada biocapacidade.
Assim, para calcular a pegada ecológica estima-se a área (terra e mar) biologicamente produtiva necessária para produzir os recursos que uma pessoa ou população consome e para absorver os resíduos associados a esse consumo, em particular as emissões de dióxido de carbono provenientes dos combustíveis fósseis.
Incluem-se na estimativa áreas agrícolas, pastagens, florestas, zonas de pesca e de infraestruturas. Estas diferentes áreas são depois convertidas numa unidade comum: o hectare global (gha), que permite comparar territórios com diferentes capacidades produtivas e tipos de utilização do solo. A mesma unidade expressa também a pegada ecológica.
A pegada ecologia e a biocapacidade são, assim, dois lados de uma mesma relação:
Quando a pegada ecológica ultrapassa a biocapacidade existente, existe um défice ecológico. Quer isto dizer que quando o consumo da humanidade ultrapassa a biocapacidade do planeta, superando o que os ecossistemas conseguem absorver e regenerar, entramos em sobrecarga ecológica.
Como a pegada ecológica mede a quantidade de recursos naturais necessários face aos disponíveis, é possível calculá-la a diferentes escalas:
Comparar a pegada ecológica per capita entre países ajuda a perceber onde existe maior pressão sobre os recursos, independentemente da dimensão da população. As diferenças refletem padrões frequentemente associados aos níveis de rendimento e fatores como a alimentação, mobilidade, o tipo de habitações, o mix energético e as emissões de carbono que lhes estão associadas.
Seja qual for a escala, calcular a pegada ecológica passa por responder à pergunta: “quanta área biologicamente produtiva é necessária para sustentar o consumo de uma pessoa, população, região ou atividade (e absorver os resíduos associados, sobretudo as emissões de CO₂)?“
O aumento da população mundial contribuiu naturalmente para aumentar a pegada ecológica global: de perto de mil milhões em 1800 e dois mil milhões em 1927, passámos a quatro mil milhões em 1975 e a seis mil milhões em 1998. Atingimos os oito mil milhões em 2022 e estima-se que cheguemos aos nove mil milhões em 2037.
Além do crescimento populacional, outros fatores fazem aumentar a procura global de recursos: diferentes níveis de rendimentos médios, estilos de vida e padrões de consumo ajudam a explicar as grandes variações entre países ou regiões.

Nota: países em branco representam dados insuficientes ou inadequados. Fonte: Global Footprint Network
Para vivermos de acordo com os limites do planeta, a pegada ecológica mundial deveria ser inferior ou igual à biocapacidade total da Terra. No entanto, desde o início da década de 1970 que a procura humana excede a capacidade de regeneração do planeta, utilizando mais recursos (mais produtos e serviços dos ecossistemas) do que aqueles que é possível regenerar no mesmo período. Desde então que estamos em défice ecológico ou em sobrecarga ecológica global.
Existem em 2026, de acordo com a Global Footprint Network, 12,3 mil milhões de hectares de terra e água biologicamente produtivos. Ao dividi-los pela população do planeta (cerca de 8,3 mil milhões de pessoas) temos a biocapacidade disponível para cada pessoa: 1,5 hectares globais (gha). Os mesmos 1,5 gha foram estimados em 2025. Este valor representa, em média, a capacidade biológica disponível per capita, embora essa mesma capacidade seja também necessária para sustentar as restantes espécies.
A mesma fonte avança que pegada ecológica média mundial é, contudo, superior: de cerca de 2,6 gha por pessoa, em 2026. Isto significa que cada pessoa utiliza, em média, recursos e serviços dos ecossistemas que exigiriam uma área biologicamente produtiva bastante superior aos 1,5 gha disponíveis por habitante.
Se dividirmos esta pegada ecológica média por pessoa (2,6 gha) pela biocapacidade disponível (1,5 gha) no planeta, obtemos aproximadamente 1,7. Assim, em 2026 seriam necessárias cerca de 1,7 Terras para assegurar e regenerar, de forma sustentável, os recursos que a humanidade consome. A data em que a humanidade esgotou simbolicamente o orçamento ecológico disponível para todo o ano, assinalada como Earth Overshoot Day, ocorreu em 2026 no dia 30 de julho.
A pegada ecológica média de cada cidadão em Portugal é superior à média global. Em 2025, foi estimada em 4,26 gha, muito acima da média da biocapacidade per capita calculada em Portugal (cerca de 1,62 gha) e no mundo (cerca de 1,5 gha). Quer isto dizer que:
Ainda assim, a média da pegada ecológica per capita em Portugal já foi superior. Em 2023, foi calculada em 4,4 gha, próxima dos valores de vários outros países europeus, como França (4,5 gha) ou Polónia (4,3 gha). Nesse ano, a Global Footprint Network avaliou 126 países, confirmando grandes variações entre as respetivas pegadas: dos 0,6 gha calculados para o Iémen e Moçambique aos 12,1 gha e 10,6 gha calculados, respetivamente, para o Catar e o Luxemburgo.
A pegada ecológica permite avaliar até que ponto o consumo humano é sustentável. Reduzir o desperdício, aumentar a eficiência energética, privilegiar transportes menos poluentes e adotar padrões de consumo mais responsáveis são algumas das medidas que podem contribuir para diminuir a pressão sobre os recursos naturais e, em consequência, a pegada ecológica.
Pode calcular a sua pegada ecológica através da calculadora da Global Footprint Network, em https://www.footprintcalculator.org/home/pt
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