No sector florestal português, a depressão Kristin confronta-nos com uma abundância súbita e catastrófica de recursos lenhosos que, se não for gerida com pinças regulatórias e visão de Estado, ameaça colapsar o mercado, destruir o rendimento dos produtores florestais e hipotecar a resiliência do território face ao risco de incêndios.
O cenário que encontramos, particularmente nas regiões Coimbra, Leiria e Santarém, após um mês da depressão Kristin é constrangedor. Milhões de árvores derrubadas representam não só um prejuízo imediato para os proprietários, mas uma ameaça latente à segurança do país.
A estabilidade de uma árvore depende do equilíbrio entre forças aerodinâmicas (rajadas, turbulência, efeito “vela” da copa) e resistências estruturais (madeira, arquitetura do fuste) e do solo (coesão, drenagem, profundidade efetiva). Quando o solo perde resistência por excesso de água, o sistema radicular “segura” menos e o risco sobe.
Mas há mais fatores técnicos que amplificam o problema: exposição do povoamento, idade, densidade, histórico de intervenções (desbastes, cortes seletivos), heterogeneidade de espécies e qualidade/ continuidade das faixas de gestão. Tudo isto influencia a vulnerabilidade. Ou seja: o fenómeno é meteorológico, mas o dano final é também resultado de decisões (ou ausência delas) na gestão do território.
A tempestade não termina com o vento porque o que fica no terreno desencadeia uma cadeia de impactos:





