No artigo completo, publicado na revista científica Journal of Fungi, “Checklist of Lichens and Lichenicolous Fungi from Mainland Portugal”, a equipa científica reforça que Portugal continental apresenta uma elevada riqueza de líquenes, face à dimensão territorial do país. A diversidade resulta da conjunção de fatores associados à localização biogeográfica de Portugal e à variedade de climas, geologias e habitats existentes no país.
As espécies constantes da checklist reforçam as condições vantajosas de Portugal continental. “Foi curioso verificar que, para 29 espécies com origem noutros continentes, a única localização conhecida na Europa continental se encontra em Portugal”, destaca ao Florestas.pt a coordenadora do trabalho científico, Palmira Carvalho, do MUHNAC, naquela que “é uma indicação de que Portugal representa elevada diversidade de microclimas e do potencial florístico do nosso país”. A especialista é curadora da coleção de líquenes do herbário LISU do Museu de História Natural e da Ciência e desenvolve a sua atividade científica nas áreas da conservação da biodiversidade, taxonomia, ecologia e sistemática de líquenes.
Para 388 espécies de líquenes em Portugal, apenas foram encontradas citações únicas, o que pode ser um indício de ocorrências raras ou pouco inventariadas. “Em qualquer dos casos, estas são as espécies que devem merecer atenção prioritária em estudos futuros”, aponta a coordenadora.
Do lado oposto a esta espécies referenciadas uma única vez, existem outras que concentram registos. São disso exemplo as espécies de líquenes como Collema furfuraceum, Flavoparmelia caperata, Ramalina farinacea, Lobaria pulmonaria e Evernia prunastri, as mais referenciadas nos registos históricos, cada uma delas com mais de 350 ocorrências. Estremadura, Minho e Algarve são as regiões que concentram o maior número de referências de líquenes em todo o território continental.
O estudo identifica também as 13 áreas com maior diversidade de espécies de líquenes em Portugal continental, incluindo territórios que coincidem com áreas protegidas do Parque Nacional Peneda-Gerês e Parques Naturais de Montesinho, Serra da Estrela, Sintra-Cascais, Arrábida e Serra de São Mamede.
A listagem permite ainda a georreferenciação das espécies (atribuição de coordenadas geográficas) com base na descrição original de localização. No total, 74% dos registos têm uma coordenada atribuída.