Recursos Naturais
A resiliência da paisagem refere-se à capacidade que uma paisagem tem para resistir, adaptar-se e transformar-se sob condições em mudança, mantendo (ou recuperando) a sua estrutura, funções e identidade centrais.
Uma paisagem resiliente é aquela que consegue adaptar-se a condições variáveis, manter as funções ecológicas essenciais, suportar a biodiversidade, resistir e recuperar de perturbações – como as que resultam dos impactes das alterações climáticas ou das atividades humanas –, e continuar a fornecer serviços de ecossistema essenciais à vida e ao equilíbrio do planeta.
O conceito pode aplicar-se a diferentes tipos de paisagem, independentemente de ser uma paisagem mais natural ou mais alterada pela atividade humana – uma floresta, um mosaico agrícola ou uma cidade. Da mesma forma, aplica-se a diferentes extensões territoriais: uma comunidade, uma região ou um continente, por exemplo.
Qualquer que seja o tipo e a dimensão, o conceito da resiliência da paisagem tem subjacente outra ideia central: a de um sistema resiliente, idealmente caracterizado por:

Por exemplo, uma floresta com várias espécies que consomem a água de forma diferente tende a ser mais resiliente à seca: as espécies com raízes mais profundas conseguirão aceder às águas subterrâneas quando o solo está seco à superfície, o que não acontece com espécies de raízes menos profundas.
Da mesma forma, a diversidade de espécies reduz a probabilidade de todas as árvores serem afetadas em simultâneo por uma praga florestal. Também a diversidade etária de uma floresta é importante na sua resiliência a tempestades, uma vez que as árvores jovens (mais baixas) tendem a resistir a ventos fortes, mesmo quando as mais velhas (e altas) são derrubadas.
Já a presença de árvores de diferentes espécies com funções estruturais e ecológicas similares é igualmente importante em termos de redundância, pois se uma delas for afetada por uma seca ou uma praga, a outra poderá resistir e ajudar a manter (ou repor) o equilíbrio do ecossistema florestal.
As pressões crescentes das alterações climáticas que tornam os ecossistemas mais vulneráveis são resultado da ação humana, mas a ação humana também pode apoiar a resiliência da paisagem, com decisões e práticas que criem paisagens mais resistentes, capazes de adaptar-se e recuperar o seu equilíbrio, em vez de colapsar. Neste sentido, a participação e responsabilização humanas também são essenciais à resiliência dos sistemas.
O projeto ResAlliance (2022 – 2025), dedicado à resiliência da paisagem mediterrânica, defende a participação das comunidades no reforço da resiliência das suas paisagens florestais e agrícolas, em projetos que beneficiem de uma estrutura de decisão descentralizada e transversal:
Caso de Estudo
A melhoria da gestão da floresta, especialmente recorrendo a fórmulas de organização e gestão conjunta da pequena propriedade, pode aumentar a resiliência dos territórios florestais aos incêndios e valorizar o que neles se produz. O projeto FORVALUE dá pistas sobre como fazê-lo.
Áreas Protegidas
No Parque Natural de Montesinho, o projeto HabMonte está a melhorar áreas degradadas e a transformar a paisagem, aumentando também a resiliência a incêndios rurais. Mas não só: a partir da recuperação de lameiros e da gestão de áreas florestais, criam-se novas condições para o lobo-ibérico, mais valor para as populações e maior proteção da biodiversidade, entre outros contributos.
Caso de Estudo
Em 45 anos registaram-se 42 incêndios rurais na freguesia de Alvares. A maior parte da área ardida resultou de grandes incêndios. O passado recente veio reforçar que o risco de grandes incêndios é elevado, mas não inevitável. Entre 2017 e 2018, um projeto-piloto demonstrou que há várias estratégias possíveis para que o território de Alvares aumente a resiliência ao fogo ao longo das próximas décadas. Conheça este caso de estudo.