Notícias e Agenda

16.09.2026

TreeTag Day 2026 revela o valor invisível das árvores

TreeTag Day 2026 revela o valor invisível das árvores

Novas árvores portuguesas vão juntar-se a outros exemplares de 10 países europeus na campanha TreeTag Day 2026, que decorre a 18 de setembro. O objetivo é sensibilizar os cidadãos para o valor das árvores urbanas, através de indicadores concretos e intuitivos, para que os seus benefícios ambientais deixem de ser invisíveis.

Já reparou nas árvores com que se cruza na sua rua ou nas que estão junto à escola ou à igreja? Sabe que uma delas pode produzir, por ano, o oxigénio equivalente ao necessário para a respiração de uma pessoa durante mais de uma semana? E captar dióxido de carbono equivalente ao libertado durante uma viagem de milhares de quilómetros?

Para a maioria das pessoas, os benefícios proporcionados pelas árvores permanecem invisíveis. É precisamente essa realidade que a campanha European TreeTag – #EUTreeTAG – quer alterar. Assim, no dia 18 de setembro assina-se o TreeTag Day 2026 e, a partir desta data, dezenas árvores em muitas cidades europeias vão ter afixada uma etiqueta com a sua “ficha de identidade” que, além de referir a respetiva espécie e dimensão, vai dar a conhecer qual é o valor natural que essa árvore traz às pessoas e ao ambiente.

A quantificação dos benefícios de cada árvore resulta de uma avaliação baseada no i-Tree Eco, uma aplicação desenvolvida pelos Serviços Florestais do Departamento de Agricultura dos EUA. Esta ferramenta tornou-se uma referência internacional para quantificar os benefícios ambientais – serviços dos ecossistemas – proporcionados pelas árvores e tem sido usada também em Portugal, nomeadamente para calcular os benefícios dos espaços verdes urbanos.

A iniciativa europeia TreeTag nasceu nos Países Baixos em 2022 e Portugal integra-a desde 2024, ano em que foram afixadas etiquetas em 100 árvores de norte a sul de Portugal. Em 2026, o nosso país participa novamente, com mais árvores inscritas no mapa treetags.gus.earth, onde podem ser conhecidos os exemplares que já foram avaliados.

A coordenação portuguesa do TreeTag Day 2026 cabe ao Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves (CEABN-InBIO), do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa (ISA), que conta com vários parceiros – câmaras municipais, escolas, jardins botânicos, universidades e centros de investigação – para avaliar o valor ambiental das árvores e sensibilizar os cidadãos para os seus importantes contributos.

Como se calcula o valor de uma árvore?

O processo começa no terreno. Para cada árvore são recolhidos dados como o diâmetro do tronco, a altura e as características da copa. Estes dados são introduzidos no i-Tree Eco, juntamente com informação ambiental e meteorológica relevante, para estimar o valor de diferentes serviços do ecossistema. São estes dados que o mapa treetags.gus.earth apresenta, traduzindo-os também em indicadores que tornam mais intuitiva a perceção da dimensão destes benefícios:

  • Produção anual de oxigénio, expressando-a numa equivalência ao número de dias de oxigénio necessários para a respiração de um ser humano;
  • Litros de água da chuva que, pela presença da árvore, ficam retidos no solo, em vez de escorrerem à superfície (onde contribuiriam para inundações e erosão do solo).
  • Quantidade de CO₂ capturado, assim como de carbono armazenado na biomassa da árvore, ilustrando o que ela representaria em emissões por quilómetros percorridos de automóvel.
TreeTag Day 2026 revela o valor invisível das árvores

Centena e meia de árvores portuguesas no TreeTag Day 2026

No mapa das TreeTags cada árvore tem disponíveis os dados que ilustram estes e outros benefícios. Em paralelo, a plataforma permite selecionar as árvores avaliadas por país e região. Em Portugal, as que se juntam ao European TreeTag Day 2026 encontram-se em Almada, Aveiro, Coimbra, Douro, Leiria, Lisboa, Loures, Ponta Delgada (Açores), Porto, Setúbal, Vila Franca de Xira e Vila Real.

Uma das de maior porte é um eucalipto (Eucalyptus botryoides), localizado na Quinta de São Francisco, em Eixo e Eirol, Aveiro. Tem 48,6 metros de altura e, no mapa das TreeTags, outros indicadores sobre esta árvore monumental dão a conhecer, por exemplo, que:

  • Produz anualmente oxigénio equivalente às necessidades de uma pessoa para 51 dias.
  • Captura CO₂ equivalente ao que seria libertado em mais de 250 mil quilómetros de viagem de carro.
  • Promove a infiltração no solo de 37 mil litros de água da chuva que, de outra forma, escorreria pela superfície e contribuiria para inundações. Para se ter uma ordem de grandeza, 37 mil litros equivalem aproximadamente ao consumo médio de água da torneira de um lisboeta em pouco mais de 10 meses.

Da mesma Quinta de São Francisco juntam-se à iniciativa mais cinco gigantes verdes, incluindo outros eucaliptos (Eucalyptus globulus, Eucalyptus obliqua e Corymbia calophylla), um carvalho (Quercus robur) e um cipreste-de-Monterey (Cupressus macrocarpa), todas com mais de 30 metros de altura e contributos ambientais significativos.

Igualmente majestosas são duas árvores açorianas, ambas de Ponta Delgada: uma árvore-do-fogo (Metrosideros excelsa), impressionante pela extensão da sua copa, e um pinheiro-da-nova-Caledónia (Araucaria columnaris) com 32 metros de altura. Esta última captura CO₂ equivalente ao emitido por um carro em mais de 230 mil quilómetros.

No entanto, não só as grandes árvores têm lugar nesta iniciativa. Há dezenas de árvores urbanas de pequeno e médio porte avaliadas e que recebem a sua “tag”, como ilustra, por exemplo, uma tília (Tilia platyphyllos) lisboeta, com 12 metros de altura, que produz, por ano, o oxigénio equivalente ao consumo de uma pessoa por 79 dias, ou um lodão-bastardo (Celtis australis) da região do Porto, de 11,9 metros, cujo oxigénio produzido equivale às necessidades de uma pessoa durante 21 dias.

Tornar visível o que cada árvore faz por nós

Dar a conhecer os contributos destas árvores ilustra o elevado valor ambiental do arvoredo com que nos cruzamos nas ruas das cidades, muitas vezes sem nele reparar. Esse é, afinal, o propósito central das TreeTags.

A iniciativa #EUTreeTag foi criada pela organização neerlandesa Pius Floris Boomverzorging e nasceu da constatação de que os benefícios das árvores são muitas vezes invisíveis para as pessoas. Uma árvore proporciona sombra, reduz a temperatura, promove a filtração e infiltração da água no solo, retém partículas poluentes, captura dióxido de carbono, armazena carbono e contribui de várias formas para a biodiversidade e o bem-estar humano, mas a dimensão destes serviços raramente é compreendida e é ainda mais raro que esteja associada a uma árvore concreta.

A #EUTreeTag procura inverter esta lógica: em vez de falar de “árvores urbanas” em termos abstratos, apresenta números que traduzem os benefícios de árvores específicas, atribuindo-lhes valores que escapam à maioria dos cidadãos.

Desde 2022 que a iniciativa foi crescendo e o TreeTag Day 2026 envolve 12 organizações de 10 países europeus: além dos já referidos Países Baixos e Portugal, Alemanha, Espanha, Croácia, Dinamarca, Itália, Noruega, Polónia e Suécia. A missão que junta estes países percebe a mesma: sensibilizar para o valor das árvores, traduzindo dados científicos em informação mais próxima das pessoas.