Gestão Florestal
As espécies a privilegiar no litoral alentejano – e em todo o Alentejo – em ações de expansão ou reconversão florestal estão indicadas no Plano Regional de Ordenamento Florestal do Alentejo (PROF ALT), que estabelece os objetivos e normas das intervenções a realizar nos espaços florestais da região.
Entre várias outras informações, o PROF identifica as zonas que partilham características ecológicas e climáticas semelhantes – as sub-regiões homogéneas do Alentejo – e as espécies que são mais indicadas em cada uma, considerando que as especificidades do clima, solo e relevo (condições edafoclimáticas) favorecem o crescimento de determinadas espécies de árvores e não de outras.
O PROF do Alentejo identifica 21 sub-regiões, sendo que seis delas estão situadas no litoral ou na sua zona de influência. Embora as condições edafoclimáticas tenham algumas variações, há espécies comuns a estas seis sub-regiões: o pinheiro-manso – que encontra em boa parte desta região condições excelentes para se desenvolver –, o pinheiro-bravo, o medronheiro e as chamadas espécies ripícolas (grupo bem adaptado a zonas ribeirinhas):

Fonte: Sig, ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas
Refira-se que o PROF do Alentejo foi aprovado em 2019 (prevendo-se que vigore por um período de até 20 anos) e pode ser consultado no site do ICNF. As principais informações constam do Documento Estratégico, Capítulos A a H, e da legislação que estabeleceu este Plano.
Para cada sub-região estão definidos dois grupos de espécies que podem ser usadas em ações de expansão ou de reconversão de povoamentos florestais:
“Produção”, “Proteção”, “Conservação de habitats, de espécies de fauna e flora e de geomonumentos”, “Recreio e valorização da paisagem” e “Silvopastorícia, caça e pesca em águas interiores” são algumas das funções da floresta que podem estar identificadas e que influenciam a lista das espécies a privilegiar no litoral alentejano, consoante as diferentes sub-regiões.
(Grupo I) | (Grupo II) |
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Pinhais do Alentejo Litoral (sub-regiões partilham listas de espécies) | ||
Nota: as espécies ripícolas são indicadas para margens de cursos de água (galerias ripícolas) e incluem, entre outras, o amieiro, o freixo e os salgueiros. O carvalho-português (ou cerquinho), deve preferencialmente ser da subespécie Quercus faginea subsp. broteroi. O eucalipto refere-se à espécie Eucalytpus globulus.
Saiba também quais são as espécies a privilegiar no interior do Alentejo.
A plantação de espécies florestais que não constem do PROF de cada sub-região como “Espécies a privilegiar” ou “Outras espécies a privilegiar” só pode ser feita após autorização específica do ICNF, mediante fundamentação técnica que justifique a sua instalação.
Adicionalmente, no Alentejo, a instalação de explorações florestais ou agroflorestais privadas que tenham dimensão superior a 100 hectares requer do proprietário a elaboração de um Plano de Gestão de Florestal, a submeter e aprovar pela autoridade florestal nacional – ICNF. Além destas regras, os proprietários e gestores florestais precisam de ter em conta:
Como não basta saber quais são as espécies a privilegiar no litoral alentejano, os produtores florestais e agroflorestais podem aconselhar-se junto do Gabinete Técnico Florestal do respetivo município: Alcácer-do-Sal, Grândola, Odemira ou Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal de Sines e Santiago do Cacém. Estas estruturas – assim como as Organizações de Produtores Florestais e as empresas especializadas em consultoria florestal – dispõem de técnicos florestais capacitados para prestar este apoio.
Espécies Florestais
O sobreiro (Quercus suber L.), árvore mãe da cortiça, é uma espécie de crescimento lento e grande longevidade, que desenvolveu mecanismos de adaptação à secura e ao fogo. Descubra mais sobre esta espécie, neste artigo em colaboração com as autoras Conceição Santos Silva e Teresa Soares David*.
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Característica dos ecossistemas mediterrânicos e plantada nesta vasta região desde tempos remotos, a alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.) está atualmente presente num conjunto mais alargado de países de verões quentes e invernos pouco rigorosos, como os EUA (Califórnia), a Austrália e a África do Sul.