Os fenómenos extremos não se limitam ao verão ou às ondas de calor. Nos últimos anos, Portugal tem sido afetado por episódios de precipitação muito intensa, frequentemente associados a sequências de tempestades e rios atmosféricos.
“Já havia, há 100 anos, rios atmosféricos e ciclones intensos”, refere Ricardo Trigo, explicando que, contudo, uma atmosfera mais quente consegue transportar mais vapor de água. Isto não significa necessariamente que existam mais tempestades ou mais rios atmosféricos do que no passado, mas significa que os mesmos sistemas meteorológicos podem transportar mais humidade e produzir precipitação mais intensa. Com 2 oC adicionais sobre os continentes, os sistemas transportam agora mais 20% de água.
Estamos todos cientes do que aconteceu em Portugal no mês de janeiro e fevereiro de 2026, com uma sequência de ciclones muito intensa que provocaram ventos catastróficos no centro do país e inundações a Norte e a Sul, refere, advertindo que este não é um fenómeno novo: “Há apenas três anos tivemos inundações em todo o país e também foram provocados, em grande medida, por uma sequência de tempestades muito intensas associados aos famosos rios atmosféricos”.
Os dados confirmam o aumento destes fenómenos extemos de pluviosidade: a série histórica da precipitação diária máxima anual, relativa a Lisboa, mostra que episódios com valores muito elevados de chuva em 24 horas se tornaram mais frequentes nas últimas décadas.