Anterior Próximo

Pragas e Doenças

Quais são as principais pragas e doenças do freixo?

Embora a espécie Fraxinus angustifolia, nativa de Portugal, seja robusta e tolerante à poluição atmosférica, existem várias pragas e doenças do freixo que podem comprometer a vitalidade desta e de outras espécies de Fraxinus, levando, eventualmente, à morte das árvores. 

Embora não sejam as únicas pragas e doenças do freixo, salientam-se, por serem as mais penalizadoras: 

  • As pragas provocadas pelo besouro-verde (broca-do-freixo) e pelos besouros-asiáticos. Pelos riscos que acarretam, ambas foram declaradas como “pragas de quarentena” e “pragas prioritárias” na União Europeia.  
  • A murchidão-do-freixo, uma doença igualmente preocupante, de origem fúngica.  

 

4 pragas do freixo que merecem atenção

 

1. Broca-do-freixo 

Conhecida como besouro-verde, esmeralda-do-freixo ou broca-do-freixo, é considerada uma das pragas mais destrutivas para o género Fraxinus a nível mundial. Quem a causa é o pequeno besouro Agrilus planipennis, de cor verde-esmeralda, nativo do nordeste da Ásia. A sua expansão tem vindo a causar elevadas taxas de mortalidade em povoamentos de freixo na América do Norte e na Europa. Em Portugal, até 2026, esta praga do freixo não foi detetada. 

As fêmeas depositam os ovos nas fendas da casca e, após a eclosão, as larvas escavam galerias na madeira e alimentam-se do câmbio vascular, interrompendo a circulação da seiva. Isto leva ao declínio progressivo da árvore e, frequentemente, à sua morte.  

Os sintomas são tardios (surgem vários anos após a introdução da praga) e tendem a aparecer primeiro no topo da copa: amarelecimento, folhas mais pequenas, morte progressiva dos ramos e rebentos abaixo da zona afetada. No tronco, podem observar-se as galerias feitas pelas larvas, o fendilhamento da casca e os orifícios de saída dos insetos, que têm uma forma semelhante à letra “D”, com cerca de 3-4 milímetros de diâmetro. 

Pelo seu potencial de causar danos económicos, ambientais e sociais na União Europeia, a broca-do-freixo foi classificada como “praga de quarentena prioritária”. Por este motivo, os Estados-membros têm de realizar prospeções anuais para tentar controlar a sua potencial expansão e preparar planos de contingência, exercícios de simulação e planos de ação para a sua erradicação. 

Em Portugal, a DGAV – Direção-Geral de Alimentação e Veterinária e o ICNF – Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas publicaram em 2026 um Plano de Contingência que abrange o Agrilus planipennis, enquadrando-o como “praga prioritária” e de “quarentena”.

 

 

2. Besouros-asiáticos 

Os besouros Anoplophora chinensis Anoplophora glabripennis são outros insetos cujas larvas se alimentam no sistema vascular das árvores hospedeiras e que estão classificados como “praga de quarentena prioritária”. 

São insetos que se alimentam de diferentes espécies de árvores, incluindo os freixos. Os adultos alimentam-se de folhas e raminhos jovens, enquanto as larvas escavam longas galerias na base do tronco e no sistema radicular, fragilizando as plantas.  

Os sintomas são visíveis em árvores de todas as idades, incluindo as jovens plantas de viveiros: incluem ramos secos e declínio da copa, galerias escavadas pelas larvas e orifícios de saída.  

O comércio internacional de plantas e madeira são o principal mecanismo de introdução e dispersão desta praga do freixo, especialmente quando os insetos se encontram nos estados imaturos, isto é, quando estão em desenvolvimento dentro da madeira e são mais difíceis de detetar. 

3. Traça-do-freixo 

A traça-do-freixo (Abraxas pantaria) é um inseto desfolhador cujas lagartas se alimentam, preferencialmente, das folhas jovens. Os seus ataques podem provocar perda de folhas (desfolhas) significativas, sobretudo em árvores jovens ou já debilitadas por outros fatores de stress, como seca e temperaturas elevadas.  

Embora esta seja uma das pragas do freixo que raramente causa a morte das árvores, a perda de folhas (redução da área foliar) limita a fotossíntese, comprometendo o crescimento e a acumulação de reservas – açúcares e outros nutrientes – que podem ser mobilizadas pelas árvores para recuperar. 

4. Afídeos ou pulgões 

Existem ainda pequenos insetos sugadores da família Aphididae que se alimentam da seiva do floema dos freixos, provocam deformações foliares, atraso no crescimento e enfraquecimento geral da árvore.  

Quando as populações destes insetos são elevadas, produzem grandes quantidades de melada, o que favorece o desenvolvimento de um fungo superficial, a fumagina, que reduz a capacidade das folhas para fazer a fotossíntese.  

Em viveiros e plantações jovens, estes ataques podem ser mais expressivos, sobretudo quando coincidem com condições de carência de água (stress hídrico). 

 

Murchidão-do-freixo é a doença mais preocupante 

 

Causada pelo fungo Hymenoscyphus fraxineus, a murchidão-do-freixo (conhecida por ash diebackem inglêsé a doença mais preocupante que afeta os freixos europeus. Detetado na Europa no início da década de 1990, este fungo disseminou-se por grande parte da área de distribuição do freixo-comum (Fraxinus angustifolia) e do freixo-europeu (Fraxinus excelsior), não tendo sido detetado em Portugal até 2026. 

O fungo produz estruturas reprodutoras nas folhas e nos pecíolos (os pequenos pés que ligam a folha ao galho), libertando esporos que são transportados pelo vento (durante o verão). A infeção ocorre sobretudo nas folhas, mas o fungo pode colonizar os pecíolos e atingir os ramos, onde provoca necroses e cancros. Com a progressão da doença, a copa perde folhas e ramos.  

Perante esta perda, a árvore pode responder através da ativação de gomos dormentes, que fazem despontar rebentos epicórmicos – frequentemente conhecidos como “vassouras-de-bruxa” – que dão um falso aspeto de recuperação, já que a copa continua comprometida e a árvore mantém um processo de declínio que pode prolongar-se por vários anos, levando à sua seca e podridão até às raízes (sistema radicular). Em árvores jovens, a infeção pode conduzir à morte. Em exemplares adultos, provoca um enfraquecimento que aumenta a suscetibilidade a outras pragas e agentes secundários.  

Como os principais sintomas da murchidão do freixo podem ser causados por outros fungos e ataques de insetos, o diagnóstico deve ser confirmado por técnicos ou laboratórios especializados. 

 

O que fazer se detetar sintomas de pragas e doenças do freixo?

 

Caso se depare com sintomas que possam sugerir pragas ou doenças do freixo deve contactar os serviços oficiais – ICNF e DGAV – para que se façam análises de despiste de algum organismo causador de uma “praga de quarentena prioritária”.  

O ICNF é o instituto público responsável pela conservação da natureza e das florestas em Portugal e tem à sua responsabilidade as questões relacionadas com a saúde das árvores em zonas florestais. Contatar a Divisão de Fitossanidade Florestal do ICNF ou os serviços regionais da zona em questão é o primeiro passo para obter aconselhamento ou assistência.  

No caso de árvores localizadas em espaços verdes urbanos (que não estejam em áreas florestais), as Câmaras Municipais também costumam ter serviços dedicados ao ambiente ou departamentos específicos para lidar com questões relacionadas com árvores das cidades. Estas estruturas podem fornecer orientações sobre como proceder ou enviar técnicos para avaliarem a situação. 

Ao reportar uma árvore doente ou um sintoma desconhecido é importante fornecer o máximo de informações possível, como a localização exata da árvore e a descrição dos sintomas observados (de preferência, com evidência fotográfica).

 


* Artigo em colaboração com Catarina Branco 

Catarina Branco é estudante do segundo ano de Engenharia Florestal no ISA – Instituto Superior de Agronomia (em 2026). A sua colaboração com o Florestas.pt realizou-se no âmbito dos estágios de verão alumnISA.  

Anterior Próximo