As estatísticas nacionais indicam que o emprego habitualmente associado à floresta representou 2,14% do total nacional em 2024 (2,25 no ano anterior). Isto significa que cerca de 105 mil pessoas trabalharam diretamente ao serviço da silvicultura, das indústrias de base florestal, do comércio grossista de madeira e cortiça e dos sapadores florestais. Em 2024 – último ano que tem, à data, informação oficial – só a silvicultura e a indústria florestal somaram mais de 98 mil pessoas ao serviço.
Os valores divulgados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística para os indicadores “número de empresas” e “pessoal ao serviço” tradicionalmente associados à floresta apresentam, no entanto, um retrato incompleto das empresas e do emprego no sector florestal. Deixam de fora as pessoas ao serviço das empresas de comércio grossista e retalhista de papel, cartão e mobiliário. Não incluem as que se dedicam à apanha e venda de produtos florestais não lenhosos, nem às culturas de frutos de casca rija e aos materiais de viveiro que permitem a florestação e reflorestação.
Atividades como a caça, a pesca em águas interiores, as culturas agroflorestais ou os serviços ambientais – que estão, em grande parte, dependentes dos ecossistemas florestais – também não são habitualmente consideradas. Estes dados encontram-se dispersos em estatísticas de outros sectores ou não estão acessíveis para consulta, como acontece com as empresas e empregos relacionados com a produção de cogumelos.
Se considerarmos o emprego associado às atividades relacionadas com a floresta que têm dados oficiais acessíveis, mas não são habitualmente considerados nas estatísticas do sector, há quase 9 mil empregos adicionais a somar aos já referidos, num total que se aproxima dos 115 mil postos de trabalho. Acresce que o perfil de trabalho florestal, à semelhança de outros tipos de trabalho rural no terreno, é muitas vezes sazonal e mesmo informal. Parte do emprego no sector florestal permanece, assim, como uma atividade de apoio ao rendimento familiar e, com frequência, sem registo oficial. O conjunto de dados disponibilizados nas estatísticas oficiais é, por isso, apenas uma parte da real empregabilidade florestal.