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Indicadores Económicos

Retrato do emprego no sector florestal

Cerca de 115 mil pessoas tiveram emprego no sector florestal em Portugal, em 2024. A maioria destes postos de trabalho são criados pelas fileiras industriais da floresta e pela silvicultura. No total, perto de 20 mil empresas contribuíram para este dinamismo, que é particularmente relevante para revitalizar as áreas rurais.

Artigo atualizado a 21.09.2026

Plantação e exploração no terreno, transformação de matérias-primas em mobiliário ou papel e comércio de cortiça ou madeira são exemplos das atividades que fazem da floresta um importante dinamizador dos sectores primário, secundário e terciário por todo o território português. Esta importância é particularmente evidente pelo número de empresas e pela dimensão do emprego no sector florestal: perto de 20 mil empresas e mais de 100 mil pessoas ao seu serviço, em 2024.

Emprego no sector florestal: Cortiça, extração e transformação
Indústria da pasta e papel dinamiza emprego no sector florestal

As estatísticas nacionais indicam que o emprego habitualmente associado à floresta representou 2,14% do total nacional em 2024 (2,25 no ano anterior). Isto significa que cerca de 105 mil pessoas trabalharam diretamente ao serviço da silvicultura, das indústrias de base florestal, do comércio grossista de madeira e cortiça e dos sapadores florestais. Em 2024 – último ano que tem, à data, informação oficial – só a silvicultura e a indústria florestal somaram mais de 98 mil pessoas ao serviço.

Os valores divulgados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística para os indicadores “número de empresas” e “pessoal ao serviço” tradicionalmente associados à floresta apresentam, no entanto, um retrato incompleto das empresas e do emprego no sector florestal. Deixam de fora as pessoas ao serviço das empresas de comércio grossista e retalhista de papel, cartão e mobiliário. Não incluem as que se dedicam à apanha e venda de produtos florestais não lenhosos, nem às culturas de frutos de casca rija e aos materiais de viveiro que permitem a florestação e reflorestação.

Atividades como a caça, a pesca em águas interiores, as culturas agroflorestais ou os serviços ambientais – que estão, em grande parte, dependentes dos ecossistemas florestais – também não são habitualmente consideradas. Estes dados encontram-se dispersos em estatísticas de outros sectores ou não estão acessíveis para consulta, como acontece com as empresas e empregos relacionados com a produção de cogumelos.

Se considerarmos o emprego associado às atividades relacionadas com a floresta que têm dados oficiais acessíveis, mas não são habitualmente considerados nas estatísticas do sector, há quase 9 mil empregos adicionais a somar aos já referidos, num total que se aproxima dos 115 mil postos de trabalho. Acresce que o perfil de trabalho florestal, à semelhança de outros tipos de trabalho rural no terreno, é muitas vezes sazonal e mesmo informal. Parte do emprego no sector florestal permanece, assim, como uma atividade de apoio ao rendimento familiar e, com frequência, sem registo oficial. O conjunto de dados disponibilizados nas estatísticas oficiais é, por isso, apenas uma parte da real empregabilidade florestal.

Pessoal ao serviço das empresas no sector florestal, 2023 – 2024

Fontes: INE, Pessoal ao serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual. Inclui: Indústrias de base florestal (Indústrias da madeira e da cortiça e suas obras, exceto mobiliário, Fabricação de obras de cestaria e de espartaria, Fabricação de pasta, de papel, de cartão e seus artigos, Fabricação de mobiliário para escritório e comércio, cozinha e outros fins); Silvicultura e exploração florestal; Comércio por grosso de cortiça em bruto; Comércio por grosso de madeira em bruto e produtos derivados. Pessoal ao serviço (N.º) como sapadores florestais por Localização geográfica (NUTS – 2024); Anual.

Exemplos do emprego noutras atividades relacionadas com a floresta, 2023 – 2024 (atividades que não são habitualmente contabilizadas no sector florestal)

Fontes: INE, Pessoal ao serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual, Inclui Caça e pesca; Cultura de frutos de casca rija; Cultura de materiais de propagação vegetativa. Estatísticas do Ambiente 2024 – Gestão e proteção ambiental em indústrias de base florestal. Nota: *ETC corresponde aos empregos que existiriam se todos os empregados trabalhassem a tempo completo.

Emprego no sector florestal é em parte informal e não consta das estatísticas

A representatividade das empresas que se dedicam aos trabalhos florestais no terreno estará numa situação similar, com várias áreas de atividade a ficarem de fora das estatísticas que traçam habitualmente este retrato do tecido empresarial.

As indústrias de base florestal totalizavam 9991 empresas (0,63% de todas as empresas portuguesas). Seguia-se a silvicultura e exploração florestal, atividades a que se dedicavam 8259 empresas em 2024 (0,52% do total). O comércio fecha este ‘triângulo da floresta’, com os dados disponíveis sobre a atividade grossista de madeira e de cortiça em bruto a totalizar 1661 empresas em 2024.

No total e considerando os dados disponíveis, a economia da floresta estava assente, em 2024, em 19911 empresas, ou seja, cerca de 1,26% do tecido empresarial nacional.

Número de empresas no sector florestal, 2023 – 2024

Fonte: INE, Empresas (N.º) por Localização geográfica (NUTS – 2024) e Atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual. Inclui: Indústrias de base florestal (Indústrias da madeira e da cortiça e suas obras, exceto mobiliário, Fabricação de obras de cestaria e de espartaria, Fabricação de pasta, de papel, de cartão e seus artigos, Fabricação de mobiliário para escritório e comércio, cozinha e outros fins); Silvicultura e exploração florestal; Comércio por grosso de cortiça em bruto; Comércio por grosso de madeira em bruto e produtos derivados.

Indústria: Norte lidera empresas e emprego no sector florestal

É nas indústrias de base florestal que se concentra a maioria das empresas e do emprego no sector. Em 2024, estas indústrias eram constituídas por quase 10 mil empresas que tinham ao serviço perto de 80 mil pessoas.

Considerando o total das empresas e do emprego no sector florestal, a indústria representava metade das empresas e contava com 75% das pessoas ao serviço.

Estas indústrias englobam quatro áreas de atuação muito distintas: pasta e papel, cortiça, madeira e mobiliário (excluindo o fabrico de colchões), que têm realidades igualmente diferentes. Em 2024, a maioria dos empregos e empresas vinha das indústrias ligadas ao mobiliário, com 34,8 mil empregos em 4,5 mil empresas. Seguia-se a indústria da madeira, com 22,1 mil empregos em 4,2 mil empresas.

Já o subsector da pasta e papel tinha menos empresas, um total de 570, mas empregava mais de 14,5 mil pessoas, uma relação que traduz a maior dimensão (e produtividade) das empresas nesta atividade. Também as empresas dedicadas à transformação da cortiça apresentam um elevado número de pessoas ao serviço (8101) em proporção ao número de empresas (744).

Em termos geográficos, a região Norte e a região Centro contavam com, respetivamente, 5645 e 1698 empresas industriais. Juntas, estas duas regiões representam quase 74% das indústrias de base florestal.

Distribuição geográfica das empresas industriais de base florestal, 2024

Mapa Empresas industriais florestais

Pessoal ao serviço das empresas industriais de base florestal, por subsector, 2023 – 2024

Empresas industriais de base florestal, por subsector, 2023 – 2024

Fontes: INE, Pessoal ao serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual. Empresas (N.º) por Localização geográfica (NUTS – 2024) e Atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual.

NOTA: Nos dados e gráficos que referem a indústria florestal foram consideradas as seguintes “Indústrias transformadoras” –  Madeira: em “Indústrias da Madeira e da cortiça e suas obras, exceto mobiliário” considerou-se “Serração, aplainamento e impregnação da madeira”; “Fabricação de folheados e painéis à base de madeira”; “Parqueteria”; “Fabricação de outras obras de carpintaria para a construção”; “Fabricação de embalagens de madeira”; “Fabricação de outras obras de madeira”; “Fabricação de obras de cestaria e de espartaria”; Cortiça: em “Indústrias da Madeira e da cortiça e suas obras, exceto mobiliário” considerou-se “Indústria de preparação da cortiça”; “Fabricação de rolhas de cortiça”; “Fabricação de outros produtos de cortiça”; Pasta, papel e cartão: “Fabricação de pasta, de papel, de cartão e seus artigos”; Mobiliário exceto colchões: “Fabricação de mobiliário para escritório e comércio”; “Fabricação de mobiliário de cozinha”; “Fabricação de mobiliário para outros fins”.

Silvicultura: 41% das empresas, 18% do emprego

As atividades da silvicultura e exploração florestal, que englobam a gestão e exploração florestal, a extração de cortiça, resina e outros produtos florestais, representam mais de 41% das empresas do sector florestal (8259 empresas de um total de 19911). Os postos de trabalho que geram correspondem a uma percentagem menos representativa: cerca de 18% do emprego no sector florestal (18697 de um total de 105970 empregos).

Não é demais frisar que o trabalho de silvicultura (assim como o trabalho agrícola) é muitas vezes sazonal e informal, pelo que estas estatísticas podem estar aquém da realidade no terreno.

Pessoal ao serviço das empresas na silvicultura, por atividade económica, 2023 – 2024

Empresas da silvicultura, por atividade económica, 2023 – 2024

Fonte: INE, Sistema de Contas Integradas das Empresas – Pessoal ao serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual. Empresas (N.º) por Localização geográfica (NUTS – 2024) e Atividade económica (Subclasse – CAE Rev. 3); Anual.

Emprego no sector florestal: silvicultura

A criação de valor nas florestas – com a consequente criação de empregos – é essencial para a proteção do território. O despovoamento das áreas rurais e o progressivo abandono da floresta originaram extensas áreas que carecem de gestão e apresentam elevado risco de propagação de incêndio. Aumentar a rentabilidade da floresta e o valor das atividades florestais permite contrariar a tendência de abandono rural e trazer novas oportunidades de desenvolvimento a estas regiões.